Entre cuidar e vigiar: ambiguidades e contradições no discurso de uma agente penitenciária

AUTOR(ES)
FONTE

Ciênc. saúde coletiva

DATA DE PUBLICAÇÃO

2014-07

RESUMO

O artigo tem como objetivo verificar de que modo o discurso de uma agente penitenciária que trabalha com mulheres encarceradas reflete de formas diversas a contradição inerente à instituição prisão, a saber, sua dupla missão de punir e ressocializar criminosos. Os dados coletados em uma penitenciária feminina do Rio Grande do Sul foram analisados através da Análise Crítica do Discurso, que tem como objetivo entender de que forma as produções discursivas refletem relações sociais de poder. A análise nos mostra que a prática desta agente fundamenta-se simultaneamente em ideologias punitivas e ressocializadoras, expressas em sentimentos contraditórios de raiva e carinho em relação às detentas. Os resultados nos apontam para a centralidade de gênero na relação estabelecida entre agentes e presas. Portanto, o fato de ser uma agente mulher cuidando e vigiando outras mulheres dota esta relação cotidiana de uma complexidade ainda maior, que extrapola os limites impostos pela prisão.The scope of this paper was to establish how the discourse of a female penitentiary officer working in a prison for women reflects, in different ways, the inherent contradiction of prisons, namely their double mission of punishing and resocializing criminals. The data collected in a female prison in Rio Grande do Sul were evaluated using Critical Discourse Analysis, which seeks to understand how discursive productions reflect social power relations. The analyses show that this officer's practice is based simultaneously on punitive and resocializing ideologies, expressed in contradictory feelings of anger and affection towards incarcerated women. Results point to the centrality of gender in the relationship established between officers and interns. Thus, the fact of being a female officer caring and monitoring other women makes this daily relationship even more complex. This complexity extrapolates the limits imposed by prisons.

ASSUNTO(S)

health sciences

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