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A emergência da concepção moderna de infância e adolescência: mapeamento, documentação e reflexão sobre as principais teorias

AUTOR(ES)
DATA DE PUBLICAÇÃO

1996

RESUMO

Este trabalho busca refletir o novo estatuto da infância e adolescência nas sociedades hipermodernas, discutindo suas concepções. Nas últimas décadas, avolumaram-se os estudos reportandoa ocorrência de uma grande mudança no status da criança nas chamadas culturas ocidentais modernas, e aqui buscamos compreender sua direção e significado. Para alcançar esse propósito, fiz uma leitura e uma classificação das principais teses sobre a história da infância e procedi a um reexame crítico ancorado nas teorias das Ciências Sociais, marcadamente da Antropologia. Assim, fiz um mapeamento, uma documentação e uma reflexão crítica sobre as seguintesteses: i) da inexistência do sentimento de infância na Idade Média; ii) da relação entre pais e filhos, historiando uma visão das criançascomo a base da escala social ou como seres inferiores,cujo status podia ser equiparadoao dos animais e servos; iii) do tratamento cruel , que alega que as crianças do passado eram fteqüentemente abusadas sexualmente, negligenciadas e maltratadas,e que o infanticídio era uma prática comumente aceita; iv) do tratamento ambivalente , que atesta que o tratamento que os pais destinavam às crianças oscilava entre a formalidade/severidadee o afeto; v) a tese da mudança de status da infância, cujos defensores demonstram a ocorrência de uma extraordinária alteração na relação entre os pais e seus filhos, e da sociedade com relação à criança de modo geral,que colocou-ano centro da família moderna e deslocou o lugar social ocupado por ela. Consensos e divergências mapeados e examinados, pode-se dizer que, a despeito de sua importância,a tese de Philippe Aries sobre a inexistência do conceito de infância nas sociedades do passado está comprovadamente superada. Neste trabalho procuro também demonstrara forma como se constrói teoricamente a concepção moderna de infância, e como ela é uma categoria ao mesmo tempo histórica, científica e sociológica. Nesse sentido, analiso as representações culturais de infância presentes no imaginário religioso, filosófico e da literatura especializada, em contraposição à visão que os pais tinham de seus próprios filhos. Destacadamente na Filosofia, encontramos a influência marcante de Jean-Jacques Rousseau, a quem atribuí-se a introdução dos conceitos de inância e adolescência no pensamento ocidental moderno,e as contribuições de Charles Darwin, Sigmund Freud e Jean Piaget à psicologia do desenvolvimento. Por fim, discuto as implicações contemporâneas da concepção modernada infância e adolescência

ASSUNTO(S)

ciencias sociais aplicadas estatuto da infancia e adolescencia historia da infancia crianca ciencias sociais pais e filhos adolescentes




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