Escolhas alimentares e composição nutricional de alimentos disponíveis em instituições de ensino pública e privada / Food choices and nutritional composition of foods available in public and private schools

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DATA DE PUBLICAÇÃO

2009

RESUMO

Os objetivos deste estudo foram: 1) analisar e comparar a qualidade nutricional de alimentos disponíveis para crianças em idade escolar em uma escola pública e outra privada; e 2) investigar as escolhas alimentares das crianças durante sua permanência na escola. O estudo foi desenvolvido em duas escolas do município de Alfenas/MG, Brasil, uma pública e outra privada. Foram analisados os teores de proteína, lipídeo, carboidrato, energia, ferro, sal e sódio de 45 amostras de alimentos disponíveis durante 4 semanas na alimentação escolar da escola pública e na cantina da escola privada. Os resultados foram comparados com as recomendações nutricionais para crianças de 7 a 10 anos. Foram analisadas as escolhas alimentares, para o período de permanência na escola, de 511 crianças de ambos os sexos, entre 7 e 10 anos de idade, matriculadas nas duas escolas em estudo. Aplicou-se questionário para investigar tipo e freqüência de consumo de alimentos trazidos de casa ou adquiridos nas cantinas escolares. Aferiu-se peso e estatura das crianças para classificação de seu estado nutricional, observando-se prevalência de excesso de peso de 24% na escola privada e 19% na pública. Em ambas as escolas, as recomendações nutricionais mínimas foram atingidas. Os valores de energia, proteína, lipídeos, ferro e sódio foram significantemente maiores na escola privada. A distribuição de macronutrientes apresentou-se mais balanceada na escola pública que na privada, especialmente para proteína e lipídeo. Em ambas as escolas, os teores de sal e sódio superaram a recomendação em duas e três vezes, respectivamente. Os alimentos oferecidos na escola privada eram mais ricos em energia, e em ambas as escolas o conteúdo de sódio na alimentação disponível foi elevado. Em geral, a alimentação disponível na escola pública apresentou melhor adequação nutricional. Observou-se que as meninas levavam alimentos de casa em maior proporção, independente do tipo de escola, e que alimentos procedentes da cantina foram consumidos em proporções semelhantes por todas as crianças, em ambos os sexos e escolas. Salgadinhos e doces industrializados foram consumidos em proporções significantemente maiores na escola pública, e leite e refrigerante foram os alimentos com menor e maior proporção de consumo, respectivamente, independente de sexo e escola. Observaram-se diferenças, várias significantes, nas escolhas alimentares das crianças, envolvendo fatores como tipo de escola, sexo e procedência dos alimentos. Estas diferenças devem ser consideradas no desenvolvimento de estratégias de orientação nutricional mais efetivas na promoção de mudanças sustentáveis no estilo de vida, e estas estratégias devem envolver pais, educadores e crianças. Concluiu-se que ações corretivas são necessárias para ajustar a grande variabilidade na composição nutricional e no teor de sódio dos alimentos disponíveis às crianças, tanto na escola pública quanto na privada. Alimentos com elevado teor energético, de sódio e/ou de açúcares e gorduras foram consumidos pelas crianças em maior proporção que opções mais saudáveis, independentemente da procedência, sexo e tipo de escola, exigindo a adoção simultânea de estratégias específicas de intervenção, em âmbito familiar, escolar e governamental. Estas iniciativas devem ter como ponto de partida a definição de políticas públicas governamentais, em âmbito federal, que efetivamente normatizem a oferta de alimentos para comercialização nas escolas, tanto públicas como privadas, e que responsabilizem os dirigentes das escolas pelo cumprimento das normas.

ASSUNTO(S)

alimentação escolar comportamento alimentar composição nutricional nutricao




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