O intangível na produção do cuidado: o exercício da inteligência prática em uma enfermaria oncológica

AUTOR(ES)
FONTE

Ciênc. saúde coletiva

DATA DE PUBLICAÇÃO

20/12/2019

RESUMO

Resumo Este artigo resulta de uma pesquisa cujo objeto é o saber-fazer dos trabalhadores de enfermagem. O objetivo principal foi investigar os usos da inteligência prática, em uma equipe de enfermagem de uma enfermaria oncológica no Rio de Janeiro. Partimos do pressuposto de que, a despeito do sofrimento inerente ao trabalho em saúde, este pode conter uma dimensão criativa e potente no exercício do cuidar, mesmo diante dos desafios colocados pelas precárias condições de trabalho, pela demanda crescente de pacientes e pelas exigências de produtividade. Foram realizadas observação participante, entrevistas em profundidade e entrevistas em grupo com trabalhadores da enfermaria selecionada. Observamos duas principais formas de manifestação da inteligência prática. A primeira, como exercício da palavra e da escuta. A segunda, como exercício da produção de conforto. Tais formas de inteligência prática se interpenetram e não são passíveis de captura por números, indicadores e métodos de avaliação do desempenho. São invisíveis para instrumentos que não passem pela palavra dos trabalhadores. Conclui-se pela necessidade de criação de espaços coletivos em que gestores e trabalhadores possam expressar e validar socialmente o saber-fazer e as experiências dos trabalhadores.Abstract This article brings the results of a research of which main goal was to investigate the use of practical intelligence by an oncology nurse team in an oncological ward, in a hospital in the city of Rio de Janeiro, Brazil. We assume that, in spite of the suffering inherent to health care work, it can have a creative and potent dimension in the exercise of care, even in the presence of the challenges faced by the precarious working conditions, the growing demand of patients and the demands of productivity. Participant observation, in-depth interviews and group interviews were carried out with a selected nursing staff. We observed two main forms of practical intelligence manifestations. The first is the exercise of speaking and listening. The second, as an exercise in the production of comfort. Such forms of practical intelligence interpenetrate and cannot be captured by numbers, indicators, and methods of performance evaluation. They are invisible to instruments that do not go through the word of the workers. We conclude that it is necessary to create collective spaces in health organizations where managers and workers can express and dialogue on such issues, socially validating this know-how and those workers'experiences.

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