O fake fotográfico: simulações irônicas

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

22/10/2012

RESUMO

Esta pesquisa traz um estudo sobre fake fotográfico, cada dia mais presente na imprensa e na publicidade mundiais. O termo fake é utilizado por abranger das produções falsas até aquelas que apenas simulam, sem ter como prioridade a intenção de enganar. Com o objetivo de comprovar o potencial do fake fotográfico, como elemento de crítica ao suporte midiático em que também está inserido, este trabalho fez uma distinção entre os conceitos de falsificação e simulação. As fotografias falsificadas ou produzidas como simulações são consideradas dispositivos para reflexão, seja a respeito do processo de produção em si ou de sua representação como elemento da cultura. Por meio da consideração dos estudos de Hans Tietze e Nelson Goodman, observou-se que a falsificação é uma prática cultural que data da Idade Média. Esta prática, bastante comum no comportamento social humano, está diretamente relacionada com os conceitos de identidade, originalidade e autenticidade, conceitos estes tratados por Umberto Eco, e que guiaram a abordagem do falso nesta pesquisa. Todavia, o fake, como simulação, utiliza a paródia para promover a crítica. Por meio dos estudos de Linda Hutcheon, que conferem à paródia uma característica essencialmente irônica, este trabalho define um primeiro aspecto do fake como simulação paródica irônica. Foi examinado, então, a título de corpus, um conjunto de modelos paródicos: Not the Financial Times, impresso que critica o tradicional The Financial Times através da imitação; B.C. Byte Series, trabalho arqueológico ficcional que relaciona a obra de arte com o artefato; a revista Esquire, que divulga notícias ficcionais, entre outros. Ao selecionar um grupo tão diversificado, verificou-se que alguns exemplos apresentam, de forma velada, as pistas responsáveis pela construção do sentido paródico. Assim, uma paródia tornase trote e determina a simulação paródica radical. Ainda examinando o diverso material fotográfico escolhido, observou-se que as manipulações são recorrentes, como falsificações, simulações paródicas irônicas ou radicais. A fotografia simulativa paródica radical é destacada através da análise dos trabalhos do fotógrafo Joan Fontcuberta, que compõe fotos fictícias, como as de animais, vegetais e até fotobiografias. Percebe-se, assim, a existência de uma reflexão crítica ao processo criativo e ao caráter de verdade que, tradicionalmente, constitui o ethos fotográfico. Os conceitos e a classificação que apresentamos, juntamente com as análises, buscam evidenciar a devida relevância do fake como paródia irônica reflexiva dos meios, dando continuidade à dissertação de mestrado O falso documentário, pesquisa previamente realizada por este autor

ASSUNTO(S)

comunicacao falsificação simulação paródia ironia fotografia artes visuais counterfeiting simulation parody irony photography visual arts

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