Momento do tratamento com surfactante em recém-nascidos de muito baixo peso

AUTOR(ES)
FONTE

Einstein (São Paulo)

DATA DE PUBLICAÇÃO

2010-09

RESUMO

RESUMO Objetivo: Relacionar o momento do tratamento com surfactante com as principais variáveis relacionadas à síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido ou à prematuridade. Métodos: Coorte histórica, sendo analisados os dados de recém-nascidos de muito baixo peso (peso de nascimento < 1.500 g) admitidos no período entre 1º de janeiro de 2004 e 30 de junho de 2007, que necessitaram de tratamento com surfactante. Os recém-nascidos foram divididos em três grupos: precoce (tratamento até a segunda hora); intermediário (tratamento entre duas e seis horas); e tardio (tratamento a partir da sexta hora). Foram analisadas: ocorrência de síndrome de escape de ar, mortalidade, displasia broncopulmonar, hemorragia intracraniana, persistência do canal arterial, retinopatia da prematuridade, tempo de oxigênio, de ventilação mecânica, tempo de internação e o número de doses de surfactante. Resultados: Foram analisados 63 recém-nascidos (Grupo Precoce, n = 21; Grupo Intermediário, n = 26 e Grupo Tardio, n = 16); os grupos diferiram em relação ao peso de nascimento e à idade gestacional. Na análise multivariada por regressão logística, realizada para compensar os efeitos da idade gestacional, do peso de nascimento e de outras possíveis interferências sobre as variáveis analisadas, foi observada uma maior incidência de síndrome de escape de ar entre os recém-nascidos do Grupo Precoce em relação aos do Grupo Intermediário (OR = 6,98; IC95% = 1,24-39,37; p 0,028), porém sem diferença em relação ao Grupo Tardio (OR = 3,72; IC95 = 0,28-49,76; p = 0,321). Não foram observadas diferenças em relação às outras variáveis analisadas. Conclusões: Neste estudo retrospectivo e não-randomizado, a administração de surfactante nas primeiras duas horas de vida aumentou o risco da ocorrência de síndrome de escape de ar em relação ao tratamento realizado entre duas e seis horas de vida, sem redução na mortalidade neonatal precoce ou tardia e sem modificação na evolução para displasia broncopulmonar, em comparação com o tratamento realizado em períodos mais tardios em relação ao nascimento.

ASSUNTO(S)

surfactantes pulmonares prematuro recém-nascido pneumotórax

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