Manifestações dermatológicas em idosos ambulatoriais, internados e institucionalizados de Porto Alegre - RS

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

13/07/2012

RESUMO

Introdução: o aumento da população de idosos em todo o mundo, traz o desafio do envelhecimento ativo com qualidade de vida. Como consequência ao aumento da expectativa de vida, vários órgãos do corpo humano envelhecem, inclusive a pele. Logo, o envelhecimento populacional é um desafio também enfrentado pelos dermatologistas, pois a transição demográfica aumenta as doenças e alterações cutâneas que necessitam ser manejadas. A escassez de estudos epidemiológicos em nosso meio sobre a prevalência das manifestações cutâneas que acometem o idoso e a importância destes para embasar o atendimento ao paciente geriátrico justificaram a realização desta pesquisa. Objetivos: estudar as manifestações dermatológicas em idosos residentes em uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) e naqueles atendidos no Ambulatório e na Internação de um Centro de Referência em Geriatria de Porto Alegre RS. Métodos: estudo transversal, descritivo e analítico, realizado entre agosto/2010 e maio/2011. Foram convidados todos os idosos residentes em uma ILPI de Porto Alegre no período de agosto/2010 a outubro/2010, todos os idosos internados no ambulatório de referência em geriatria do Hospital São Lucas no período de outubro/2010 a maio/2011 e todos os idosos atendidos na enfermaria geriátrica do Hospital São Lucas no período de dezembro/2010 a maio/2011, com 60 anos de idade ou mais. Dados referentes à idade, ao sexo, à raça, à escolaridade, às doenças associadas e medicações em uso foram pesquisados nos prontuários dos pacientes. O histórico familiar de doenças de pele foi indagado ao idoso ou seu representante e as manifestações dermatológicas foram coletadas através do exame dermatológico (inspeção e palpação) complementado pelos exames dermatoscópico e histopatológico, quando necessário. A análise descritiva dos dados foi feita através de frequências, médias, medianas e desvios padrões. Para comparação das frequências das manifestações dermatológicas, com as frequências das características demográficas e com as frequências das comorbidades foi utilizado o teste do qui quadrado. A pesquisa iniciou após aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa e os idosos ingressaram no estudo após concordância e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Resultados: participaram da pesquisa 312 idosos (103 da ILPI, 104 do Ambulatório e 105 da Internação), 30,1% do sexo masculino e 69,9% do feminino. A idade variou dos 60 aos 103 anos, sendo a média de 78,4 anos (DP=8,9) e a mediana de 79 anos. Do total, 60,9% eram brancos, 55,0% não haviam completado o nível fundamental, 94,6% apresentavam doenças associadas e 94,2% usavam algum tipo de remédio. Foram observadas 128 manifestações dermatológicas, compreendendo alterações de pele, unhas e pelos. Calculando-se a média do número de manifestações dermatológicas por idoso, seu valor foi de 18,5 (DP=3,7) e a margem de variação de 7 a 28 manifestações dermatológicas por idoso pesquisado. Melanose solar, hipomelanose gotata, nevo rubi, estrias longitudinais das unhas, rugas, nevos melanocíticos, ceratose seborreica, alopecia androgenética masculina, xerose cutânea, telangiectasias, ausência de lúnula, intertrigo interdigital dos pododáctilos, atrofia cutânea e poiquilodermia estiveram presentes em mais de 50% dos participantes deste trabalho. Ceratose actínica, canície, hirsutismo, pele romboidal, madarose supraciliar, onicólise, púrpura, onicodistrofia, cicatriz estelar, dermatite ocre, acrocórdon, dermatose papulosa nigra, comedão e ceratose de cotovelos e joelhos estiveram presentes entre 30 e 50 % dos sujeitos deste estudo. Poros dilatados, alopecia androgenética feminina, hipertricose das orelhas, eczema seborreico, cistos de millium, melasma, calosidades plantares, diferentes tipos de cicatrizes, calos plantares, leuconíquia, foliculite e hiperplasia sebácea foram constatadas entre 10 e 30 % dos idosos que fizeram parte desta pesquisa. Melanose solar foi a manifestação mais prevalente (97,8%). Ceratose seborreica (75,0%) foi menos prevalente na raça negra (P=0,006) e nos idosos com DPOC (P=0,047). Xerose cutânea esteve presente em 70,8% dos pesquisados. Hipomelanose gotata (82,7%), poiquilodermia (50,3%), poros dilatados (26,6%) e melasma (15,4%) foram menos prevalentes na ILPI (P<0,001) e a púrpura (38,1%) foi mais frequente na Internação (P<0,001). Intertrigo dos pododáctilos (52,6%) foi mais frequente nos homens (P=0,001), nas raças parda e negra (P=0,001) e naqueles com diabetes (P=0,011). Ceratose actínica (46,5%) foi mais prevalente na raça branca (P<0,001) e aumentou sua prevalência de acordo com o aumento das faixas etárias (P<0,001). As alterações ungueais mais frequentes foram as estrias longitudinais (81,2%), mais prevalentes na ILPI (P<0,001), no sexo masculino ((P=0,003), na raça parda (P=0,032) e nas faixas etárias mais altas (P<0,001). Madarose supraciliar (40,1%) foi mais prevalente na internação (P=0,036), nas faixas etárias mais altas (P=0,001) e naqueles com AVE (P=0,011) e pneumonia (P=0,002). Eczema seborreico (22,4%) foi mais frequente no sexo masculino (P<0,001) e naqueles com demência (P=0,020). Calo plantar (12,8%) foi menos prevalente na Internação (P=0,058) e no diabetes (P=0,022), já a calosidade plantar (14,7%) foi mais prevalente no Ambulatório (P<0,001). Foliculite (11,2%) apresentou maior prevalência nos homens (P<0,001). A hiperplasia sebácea (10,6%) foi mais prevalente nos idosos com câncer (P=0,030). Conclusão: a variedade de manifestações dermatológicas presentes nesta pesquisa remete à necessidade de inserir o cuidado com a pele na avaliação geriátrica ampla e no atendimento integral à saúde do idoso. A presença de manifestações secundárias ao envelhecimento cutâneo, lesões infecciosas, pré-malignas e malignas passíveis de prevenção justificam medidas de Educação para a Saúde ao idoso, ao cuidador, às equipes de saúde e às faixas etárias mais jovens da população. Face às manifestações dermatológicas observadas, à elevada prevalência de acometimento ungueal e à associação entre hiperplasia sebácea e câncer em nosso trabalho, sugere-se a realização de futuras pesquisas nesta área.

ASSUNTO(S)

medicina gerontologia biomÉdica dermatologia manifestaÇÕes cutÂneas idosos dermatopatias medicina ambulatorial hospitalizaÇÃo envelhecimento medicina

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