Índice tornozelo-braquial como preditor de risco cardiovascular nos pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica

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DATA DE PUBLICAÇÃO

2008

RESUMO

A doença arterial periférica (DAP) está associada com prevalência significativa de doença cardiovascular (DCV) e vários fatores de risco para o desenvolvimento da doença. 1 Estudos prospectivos usando o índice tornozelobraquial (ITB) têm demonstrado que valores baixos do índice predizem doença cardiovascular fatal e não fatal e todas as causas de mortalidade em pacientes com e sem doença cardiovascular e entre pacientes com doença arterial periférica.2 O ITB baixo também tem sido associado com acidente vascular cerebral no idoso.3 Estudos epidemiológicos freqüentemente definem com valores normais de ITB entre 0,90 e 1,50, ou se focam nos valores menores que 0,90, sem definir o limite superior de valor normal. Ao nosso conhecimento, muitos estudos têm correlacionado a relação entre valores alterados de ITB e mortalidade, mas ainda não foi demonstrada, na literatura, a relação do índice em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica (CRM).O reconhecimento da doença arterial periférica (DAP) como sensível marcador de aterosclerose sistêmica, sintomática ou não, e o aumento de cinco a seis vezes no risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais tornam-se fatores decisivos para sua utilização na prática clínica. 4 O ITB torna-se importante na prática clínica pela sua facilidade de realização, permitindo aos clínicos a adoção desta ferramenta em sua prática diária. É um exame de baixo custo, não invasivo, que apresenta alta sensibilidade e especificidade em relação a exames como a arteriografia, por exemplo. A detecção de valores menores que 0.90, mesmo na ausência de outros fatores tradicionais de risco cardiovascular, determina uma condição de risco cardiovascular elevado que demanda à mudança de hábitos e adoção de medidas de prevenção secundária. Com objetivo de avaliar a relação do ITB alterado em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica e risco de morbimortalidade no pósoperatório, o presente estudo baseou-se em uma coorte histórica que envolveu 300 pacientes submetidos a CRM, no período de março de 2003 a junho de 2006, no Hospital Pompéia de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Foram coletados os fatoresde risco cardiovascular e cirúrgico para o preenchimento simultâneo do escore de risco EUROSCORE. Houve correlação dos níveis alterados do ITB com mortalidade pós-operatória e esta correlação estava diretamente aumentada de acordo com a gravidade da DAP. Não encontramos correlação do ITB com aparecimento de outras complicações pós-operatórias (infecções e acidente vascular cerebral). Verificamos que pacientes com ITB alterado (menor que 0,90) se correlacionavam com aumento nas taxas de infarto agudo do miocárdico, tanto no trans-operatório como no pós-operatório de forma não significativa estatisticamente.

ASSUNTO(S)

cardiologia

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