Homens que fazem sexo com homens e participação em ONG s em Belo Horizonte entre 2007 - 2009

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia

DATA DE PUBLICAÇÃO

15/12/2011

RESUMO

O perfil da epidemia do HIV indica que na atualidade, a infecção predomina entre homens que fazem sexo com homens (HSH), ou seja, o HIV está mais concentrado em homens com práticas sexuais não aceitas na sociedade. Ações contra a epidemia, discriminação, violência e outros males que afetam os HSH ultrapassam as iniciativas individuais e necessitam de uma luta formada pelo coletivo. O principal objetivo deste estudo foi descrever e analisar a participação de homens que fazem sexo com homens em ONGs em Belo Horizonte entre 2007 a 2009. Estudo de corte transversal com 265 homens que fazem sexo com homens em Belo Horizonte. Utilizou-se a técnica amostral RDS (Respondent Driven Sampling) para recrutar os elementos da rede social dos HSH. Esta técnica RDS é um tipo de amostragem por cadeia e é utilizada para constatar a população de difícil acesso, onde o recrutamento é efetuado por indicação dos próprios participantes. O recrutamento começou com participantes (sementes) provenientes de uma ONG de Belo Horizonte, receberam cupons de incentivo e foram orientados por sua vez a recrutar outros membros elegíveis. Por cada novo voluntário, o participante era ressarcido um valor em Reais. Tiveram uma entrevista basal para coleta de dados sócio-demográficos, epidemiológicos e comportamentais. Dentre 265 participantes, a minoria (17,7%) de homens que fazem sexo com homens participou de ONGs em Belo Horizonte. Cerca de 72,8% tem alta escolaridade, maior proporção (56,7%) de indivíduos relataram ser de cor não branca. Mais de 41,5% dos participantes têm idade menor ou igual a 24 anos, 205 indivíduos (77,4%) referiram que tem uma renda superior a R$500,00. Quanto à identidade sexual verificou-se que uma grande maioria (90,2%) dos indivíduos se identificou como HSH e somente 9,8% como bissexuais ou heterossexuais. No que refere ao estado civil, 87,1% relataram que são solteiros, a maioria (61,5%) tem conhecimentos suficientes sobre a transmissão das DST/HIV. Verificou-se que uma maioria (62,3%) tem consumido álcool mais de duas vezes por semana. Verifica-se altas proporções quanto ao uso irregular do preservativo no sexo anal receptivo (41,1%) e no insertivo (44,5%). Foram altas as proporções daqueles que se sentiram discriminados pela orientação sexual em qualquer local (41,5%) e os que tiveram uma história de ter sofrido agressão sexual, física ou verbal pela orientação sexual (67,2%). Foi baixa a proporção da participação (17,7%) de homens que fazem sexo com homens que participam em ONGs em Belo Horizonte. Com essa baixa participação pode-se dizer que é provável que nem todos os HSH sabem sobre a importância e benefícios da participação em ONG. As seguintes variáveis estiveram associadas com maior participação em ONG: cor de pele não branco, ser solteiro, sentir-se discriminado pela orientação sexual, história de ter sofrido agressão sexual, física ou verbal devido à orientação sexual, receber preservativos gratuitos nos últimos 12 meses, ter feito teste anti-sífilis, ter risco moderado ou grande de se infectar pelo HIV, ter história de DST nos últimos 12 meses. A associação entre ter história de DST nos últimos 12 meses e participação em ONGs pode indicar o uso irregular de preservativo no sexo anal receptivo e insertivo respectivamente. É pertinente estimular a participação dos HSH em ONGs para promover o uso regular do preservativo e práticas sexuais seguras com vista à redução de riscos de transmissão das DST/HIV. É urgente expandir-se a distribuição de preservativos gratuitos em todos locais de concentração e lazer de público HSH. Não se constatou diferenças significativas entre suficiência e insuficiência de conhecimentos sobre a transmissão de DST/HIV e participação em ONGs. No entanto, deve-se melhorar as estratégias de prevenção do HIV para esta grupo populacional para melhorar o conhecimento, corrigir a falsa impressão de baixo risco de transmissão de DST e HIV. É preocupante o estudo evidenciar que sofrer discriminação pela orientação sexual, ter história de agressão verbal, sexual ou física e ter história de DST nos últimos 12 meses está associado com participar em ONGs. Sendo assim, as ONGs devem cooperar com todas as instâncias governamentais, a mídia e outros setores da sociedade civil para dar visibilidade à questão da discriminação com vista a uma advocacia para disseminação de informações sobre a criminalização a todas as formas de discriminação, violência com base na orientação sexual e sobre os direitos dos HSH que em casos destes atos ocorrerem, para esse grupo populacional viver sem medo. Deve-se ampliar os meios de comunicação e aprofundar sobre a sensibilização do uso consistente do preservativo e das consequências do vírus HIV.

ASSUNTO(S)

homossexualismo. homossexualidade decs homossexualidade masculina decs coito decs homens decs hiv decs estilo de vida decs organização não-governamental(ong). conhecimentos, atitudes e prática em saúde decs dissertações acadêmicas decs dissertação da faculdade de medicina da ufmg. comportamento de redução de risco decs

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