Biologia reprodutiva e conservação de Spizaetus spp. (Aves, Accipitridae) na porção sul da Mata Atlântica, Brasil

AUTOR(ES)
FONTE

Iheringia, Sér. Zool.

DATA DE PUBLICAÇÃO

26/10/2017

RESUMO

RESUMO Os gaviões do gênero Spizaetus são espécies florestais de grande porte, que possuem baixas densidades populacionais e são sensíveis a alterações geradas pelo homem. As três espécies que ocorrem na Mata Atlântica (S. ornatus, S. melanoleucus, S. tyrannus) estão ameaçadas de extinção e o conhecimento sobre muitos aspectos de sua biologia, como habitat, comportamento reprodutivo e dieta, são pouco conhecidos. Neste trabalho eu apresento dados sobre a biologia reprodutiva, dieta e comportamento do gavião-de-penacho (S. ornatus, SORN) e do gavião-pato (S. melanolecus, SMEL), bem como estimativas da distribuição - extensão de ocorrência (EOO) - e estimativas de tamanho populacional para as três espécies de Spizaetus na porção sul da Mata Atlântica. Foram compilados os registros das três espécies oriundos de nove anos de estudos realizados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e somados com registros da literatura (n = 191 registros). O total de remanescente de área florestal na área de distribuição de cada espécie foi calculado por análise espacial (SIG). O tamanho das populações foi estimado para cada espécie utilizando dados de tamanho de território e densidade de indivíduos existentes na literatura. A EOO resultante foi 123.551 km² para SMEL, 92.512 km² para SORN e 67.824 km² para o gavião-pega-macaco (S. tyrannus, STYR). A área de distribuição atual das três espécies apresentou uma redução superior a 30% em relação à distribuição histórica (anterior ao ano 2000). Os remanescentes florestais representaram 32% da EOO de STYR e cerca de 20% da EOO de SMEL e SORN. As populações estimadas foram 869 pares para STYR (1.684 indivíduos), 1.532 pares para SMEL (2.849 ind.), e 2.020 pares para SORN (1.192 ind.). Considerando apenas remanescentes florestais com mais de 10 km², as estimativas resultaram em 542 pares para STYR (RS = 48 pares; SC = 494 pares), 818 pares para SMEL (RS = 67 pares; SC = 751 pares), e 1.178 pares para SORN (RS = 67 pares; SC = 1.111 pares). Em julho/2009 eu observei um ninho de gavião-pato, construído em uma árvore emergente na encosta do vale do rio Vacas Gordas e que não pode ser acessado. Comportamento de corte e cópula foi observado na ocasião. Eu encontrei dois ninhos de gavião-de-penacho, construídos em árvores emergentes (20 e 30 metros de altura) que mediram 138 x 115 x 45 cm e 132 x 100 x 100 cm; um ninho continha um ovo (64,5 x 51,1 mm). Indivíduos do gênero Spizaetus aparentam ter um ciclo reprodutivo flexível, iniciando a reprodução durante o inverno austral. A postura foi estimada ocorrendo entre julho e setembro. A saída do filhote do ninho ocorre cerca de 3-4 meses após a postura. O gavião-de penacho consumiu principalmente aves (90%) e mamíferos. Os gaviões do gênero Spizaetus necessitam de grandes áreas de floresta preservada e as estimativas aqui apresentadas reforçam a situação crítica das populações na porção sul da Mata Atlântica. As três espécies apresentaram redução nas áreas de distribuição, com acentuada perda de habitat nas últimas décadas. Os tamanhos populacionais estimados atingiram limiares de risco, que enquadram as espécies nas categorias de ameaça de extinção da IUCN. A conservação de grandes gaviões florestais na Mata Atlântica não é algo simples; é preciso, além de preservar os remanescentes florestais existentes, reduzir a degradação dos mesmos e estabelecer conectividade entre os fragmentos. Além disso, é necessário que as ameaças diretas às aves de rapina sejam controladas (e.g., caça furtiva). Também é urgente que entendamos melhor as necessidades ecológicas estas espécies e que se estabeleçam políticas públicas para a proteção tanto das aves de rapinas quanto de seus habitats.

ASSUNTO(S)

distribuição dieta ninho tamanho populacional status de ameaça

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