Batuques negros, ouvidos brancos: colonialismo e homogeneização de práticas socioculturais do sul de Moçambique (1890-1940)

AUTOR(ES)
FONTE

Rev. Bras. Hist.

DATA DE PUBLICAÇÃO

08/04/2019

RESUMO

RESUMO No artigo analiso como as práticas designadas genericamente como batuques passaram por um processo de homogeneização e de escrutinização por parte de diferentes agentes da ação colonial portuguesa. Por um lado, insistiu-se em unificar danças e músicas na categoria genérica de batuque; por outro, a necessidade de compreender os povos dominados acabou por produzir respostas coloniais que transitaram entre um destrinchar desse termo em busca de uma apuração mais fidedigna daquilo que se presenciava e uma incorporação dessas práticas na empresa colonial. Ao mesmo tempo, promoveu-se uma incorporação dessas práticas na empresa colonial. Esse processo foi concebido pelos agentes coloniais portugueses como forma de apropriação dessas danças, canções e músicas feitas pelos nativos do sul de Moçambique para positivação de um discurso nacionalista português.ABSTRACT In this article, I analyse how practices referred to generically in the historical documentation as ‘batuque’ (drums) underwent a process of homogenization and scrutinization by diverse Portuguese colonial agents. On one hand, the colonial agents insisted on unifying everything they saw as dance and music under the generic category of ‘batuque.’ On the other hand, the need for a better understanding of the subordinate Africans ended up producing colonial responses that shifted between a dissection of the term in search of a more accurate apprehension of what was being observed and an incorporation of these practices into the colonial enterprise. This process was conceived by the colonial agents as a way of appropriating the dances, songs and music made by the natives of southern Mozambique into the ultramarine Portuguese nationalist discourse.

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