Avaliação de rastreamento de Chlamydia trachomatis em mulheres jovens em serviços de atenção primaria de Manaus, Amazonas, Brasil

AUTOR(ES)
FONTE

Cad. Saúde Pública

DATA DE PUBLICAÇÃO

20/10/2016

RESUMO

Resumo: O rastreamento de Chlamydia trachomatis não é feito de rotina em mulheres jovens assintomáticas no Brasil. O estudo avaliou o desempenho, utilidade e adequação operacional do teste de DNA Digene Hybrid Capture II (HCII) CT-ID como ferramenta de rastreamento oportunista para detectar C. trachomatis no sistema público de saúde em Manaus, Amazonas. Mulheres entre 14 e 25 anos de idade que frequentavam serviços de atenção básica foram entrevistadas, com a coleta de uma amostra cervicouterina durante o rastreamento citológico. O teste HCII CT foi avaliado em relação à capacidade de detectar a presença de C. trachomatis, e comparado à PCR em tempo real (q-PCR) em um sub-conjunto de amostras. O desempenho operacional foi avaliado através de entrevistas com profissionais e pacientes. Foram examinadas 1.187 mulheres, das quais 1.169 tiveram um resultado de teste HCII CT-ID (destas, 292 foram testadas também com q-PCR). Um total de 153 mulheres (13,1%) testaram positivas para C. trachomatis. A sensibilidade, especificidade e valores preditivos positivo e negativo do HCII CT foram 72,3% (IC95%: 65,4-78,6), 91,3% (IC95%: 84,1-95,9), 93,8% (IC95%: 88,5-97,1) e 64,4% (IC95%: 56,0-72,1), respectivamente. A coleta de amostras provocou desconforto em 19,7% das mulheres. As principais barreiras relatadas pelos profissionais de saúde (n = 52) eram casos positivos que não retornavam para os resultados (56,4%), falta de disponibilidade de realizar o rastreamento sem consulta agendada (45,1%) e aumento da carga de trabalho (38,8%). O HCII CT-ID identificou alta prevalência de C. trachomatis em mulheres jovens de Manaus. Entretanto, a sensibilidade moderada limita o uso como ferramenta de rastreamento oportunista em serviços de atenção básica naquela cidade. O rastreamento era bem-recebido, mas as barreiras identificadas, principalmente entre profissionais de saúde, limitam a detecção através do rastreamento e as iniciativas de tratamento.

ASSUNTO(S)

chlamydia trachomatis programas de rastreamento saúde da mulher

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