Adesão à antibioticoprofilaxia cirúrgica para pacientes pediátricos em hospital universitário

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia

DATA DE PUBLICAÇÃO

30/05/2011

RESUMO

Introdução: Estima-se que mais da metade das infecções do sítio cirúrgico possam ser prevenidas pela correta aplicação de recomendações baseadas em evidências científicas, dentre elas a antibioticoprofilaxia cirúrgica. A adesão às recomendações para uso adequado da antibioticoprofilaxia cirúrgica tem sido extensivamente estudada em adultos, porém estudos envolvendo pacientes pediátricos são escassos na literatura científica. Objetivos: avaliar a adesão ao Guia de Antibioticoprofilaxia Cirúrgica do Hospital das Clínicas (GAC/HC) da Universidade Federal de Minas Gerais, relativa às recomendações para pacientes pediátricos submetidos a procedimentos cirúrgicos NISS (National Infection Surveillance System), identificar fatores associados ao uso inadequado dos antibióticos profiláticos e determinar se o mesmo foi um fator associado com a infecção do sítio cirúrgico (ISC). Método: Estudo transversal da linha de base de uma coorte de 730 pacientes pediátricos, delineada para estudo anterior de fatores de risco de infecções de sítio cirúrgico. Os dados foram complementados com revisão dos prontuários dos pacientes. A adesão ou não adesão ao GAC/HC foi avaliada de acordo com os seguintes critérios: indicação, escolha do antibiótico, dose, intervalo, dose intra-operatória, momento de administração da primeira dose e duração da antibioticoprofilaxia. Considerou-se uso adequado da antibioticoprofilaxia cirúrgica (adesão ao Guia) quando todos esses critérios foram seguidos pela equipe cirúrgica e uso inadequado (não adesão ao Guia) quando qualquer um desses critérios não foi seguido. Análises univariada e multivariada foram realizadas para identificar variáveis preditoras da adesão e preditoras de ISC entre fatores específicos do paciente, do procedimento cirúrgico e da equipe cirúrgica. A avaliação de associação entre a adesão e ISC e possíveis variáveis preditoras foi realizada pela medida do odds ratio (OR) e intervalos de confiança (IC) de 95%. Para a análise multivariada pelo modelo de regressão logística, foram incluídas todas as variáveis com p<0,20 na análise univariada. Foram calculados os OR ajustados e respectivos IC 95% para as variáveis que permaneceram no modelo final, considerando-se um nível de significância de p<0,05. Resultados: Investigados 720 pacientes sendo a maioria do sexo masculino (68,5%, n=493), predominando as faixas etárias entre 1 e 5 anos (36%) e acima de 5 anos (38%). Procedimentos de urgência ocorreram em 18% (n=132) dos pacientes, infecção comunitária em 6,9% (n=50) e 6,8% (n=49) eram imunodeprimidos. O tempo pré-operatório foi menor ou igual a 24 horas em 73,9%. Segundo o Indice de Risco de Infecção Cirúrgica (IRIC), 67,9% dos pacientes foram classificados como IRIC zero. Os cirurgiões da equipe A foram responsáveis por 82,5% (n=594) do total de procedimentos. As cirurgias mais freqüentes foram as hernioplastias (30,1%) e as cirurgias do aparelho geniturinário (24%). Cefalotina foi o antibiótico mais prescrito (81,9%). Houve adesão à indicação de antibiótico profilático em 86,7% (n=624) das prescrições, à escolha da droga em 93% (n=294), às doses em 68% (n=215) e ao intervalo de doses em 98,5%. As menores proporções de adesão específica foram para a administração de dose intra-operatória (36%), para o momento de administração (34,2%) e a duração do uso do antibiótico profilático (45,7%). A não adesão ao conjunto das recomendações para antibioticoprofilaxia cirúrgica foi de 54,3%. A mediana de tempo de internação e de tempo pós-operatório foi maior entre os casos de não adesão (p<0,001). Na análise multivariada foram significativos (p<0,05) os procedimentos realizados na urgência (OR=5,6), o IRIC classificado como valor 1 (OR=6,84) e IRIC classificado como valor 2 (OR=3,04), a presença de infecção comunitária (OR=2,77) e o tempo préoperatorio>24 horas (OR=3,79). Na análise multivariada com a ISC como variável dependente foram significativas a faixa etária (<28dias de vida: OR=4,24), os IRIC de valor 1 (OR=1,89) e valor 2 (OR=2,24) e a não adesão global (OR=2,79). Conclusão: Procedimentos de urgência, tempo pré-operatório maior que 24 horas, classificação 1 ou 2 do IRIC e presença de infecção prévia foram fatores significativamente associados ao uso inadequado do GAC/HC. Identificou-se aumento de chance de desenvolver ISC para os pacientes com idade menor ou igual a 28 dias de vida, para os com índice de risco (IRIC) 1 ou 2 e quando não houve adesão global às recomendações para profilaxia. Pacientes para os quais não houve adesão ao GAC/HC tiveram uma chance de desenvolver ISC 2,79 vezes maior do que os pacientes para os quais o Guia foi usado corretamente.

ASSUNTO(S)

adesão à medicação decs infecção decs assepsia decs dissertações acadêmicas decs antibioticoprofilaxia decs cirurgia geral decs cuidados pré-operatórios decs cuidados pós-operatórios decs criança decs adolescente decs pré-escolar decs lactente decs

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