Tecnologia versus ação: uma falsa oposição atribuída a Foucault nos estudos organizacionais

AUTOR(ES)
FONTE

Organ. Soc.

DATA DE PUBLICAÇÃO

2014-12

RESUMO

O conceito de tecnologia desenvolvido por Michel Foucault ocupa uma posição ambígua na pesquisa organizacional contemporânea. Por um lado, a noção foucaultiana de "tecnologias de poder" tornou-se uma ferramenta analítica chave para pesquisadores organizacionais que buscam compreender as complexidades do poder na vida organizacional. Por outro, a abordagem foucaultiana à análise organizacional foi amplamente criticada por negligenciar a ação dos atores humanos, que figuram antes como meros instrumentos do poder, do discurso ou das tecnologias de poder. Este artigo argumenta que essa crítica amplamente aceita faz pouca justiça ao pensamento de Foucault sobre tecnologia e organização. Reavaliando o próprio conceito de tecnologia de Foucault, em especial no contexto de suas palestras de 1978, argumentamos que a crítica convencional da "negligência da ação" é mal orientada. Para fugir a essa ortodoxia interpretativa, empreenderemos uma reformulação do tema da tecnologia e da relação entre as tecnologias e as práticas organizacionais. As tecnologias de Foucault, afirmamos, não podem ser simplesmente avaliadas como ameaçadoras ou excludentes do potencial humano. As tecnologias são configurações híbridas e móveis, completamente o oposto das "jaulas de ferro" que ostensivamente envolvem as organizações e reprimem os sujeitos.The concept of technology developed by Michel Foucault occupies an ambiguous position in contemporary organizational research. One the one hand, Foucault's notion of 'power technologies' has become a key analytical tool for organizational scholars seeking to understand the complexities of power in organizational life. On the other hand, the Foucauldian approach to organizational analysis has been widely criticized for its neglect of the agency of human actors, who instead figure as mere instruments of power, discourse, or power technologies. This article argues that this widely accepted critique does little justice to Foucault's thought on technology and organizing. Reassessing Foucault's own concept of technology, particularly in the context of his 1978 lectures, we argue that the conventional critique of Foucault's 'neglect of agency' is misguided. To escape this interpretive orthodoxy we undertake a reformulation of the theme of technology and the technologies' relation to organizational practices. Foucault's technologies, we argue, cannot simply be evaluated as threatening or foreclosing human potential. Technologies are hybrid, mobile configurations quite the opposite of the 'iron cages' ostensibly enveloping organizations and repressing subjectivities.

ASSUNTO(S)

applied social sciences

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