Representações de pessoas com HIV/AIDS sobre o corpo: a construção da corporeidade

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

09/04/2012

RESUMO

A disponibilização dos medicamentos antirretrovirais (ARV) trouxe mudanças positivas no quadro da epidemia da aids no Brasil em relação às complicações pelo HIV e consequente diminuição da mortalidade, transformando a aids em doença crônica. Porém, trouxe, também, desafios para as pessoas vivendo com HIV/aids (PVHA), como a adesão ao tratamento, transformações corporais e mudanças importantes nas interações sociais. Esses desafios podem ser vivenciados de forma diferente pelas PVHA e podem se apresentar como dificuldades que interferem diretamente nas interações sociais. O corpo expresso no social, entendido como corporeidade, permite a constituição da identidade e identificação dos sujeitos. A corporeidade, constituída nas trajetórias de vida contém representações sobre o corpo ao mesmo tempo que as expressa. Apesar da sociologia e da epidemiologia terem avançado, sobremaneira, no conhecimento da experiência social das pessoas infectadas e contribuído para a melhoria da atenção à saúde de PVHA, o conhecimento sobre a vivência do corpo ainda foi pouco explorada. O objetivo do presente estudo foi compreender representações de pessoas com HIV/aids sobre o corpo e suas interações, após o diagnóstico da infecção. A abordagem foi qualitativa e fundamentada na teoria das representações sociais. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas em profundidade com PVHA, acompanhadas em serviço de referência em HIV/aids, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A interpretação dos dados se deu por meio da análise estrutural de narração que permitiu a construção de três categorias: a) Representações sobre a aids e uso dos atirretrovirais; b) Representações sobre corpo com HIV/Aids; c) Representações sobre corporeidade: interações sociais e corpo, que se agrupam em uma categoria teórica, que foi intitulada Visibilidade e Segredo. A interpretação dos dados apontou a permanência da representação sobre aids de uma doença mortal e transmissível, sobre a qual há culpa e medo de infectar outras pessoas. O medo de mudanças corporais está associado tanto à infecção quanto ao próprio uso dos antirretrovirais, porque podem dar visibilidade à doença. O segredo sobre a doença aparece como garantidor da manutenção das relações familiares, de trabalho, afetivas e sexuais. As representações sobre o corpo infectado ou doente rompem, portanto, com aquelas que fazem com que a pessoa se sinta confiável, bonita e desejável, e, mesmo que não haja transformações aparentes, a corporeidade é modificada ao longo da vivência da doença.

ASSUNTO(S)

enfermagem teses.

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