Presença de sintomas no momento do diagnóstico da recorrência do câncer do colo do útero está relacionada com pior prognóstico?

AUTOR(ES)
FONTE

Rev. Bras. Ginecol. Obstet.

DATA DE PUBLICAÇÃO

2014-12

RESUMO

OBJETIVO: Aval iar as características clínicas e implicações prognósticas de pacientes portadores de recidiva de câncer do colo do útero. MÉTODOS: Por meio de revisão de prontuários foram avaliados todos os casos de câncer do colo do útero nos estádios IA a IVA que iniciaram acompanhamento em um hospital especializado da região Sudeste do Brasil de 2007 a 2009. Os episódios de recidiva foram categorizados conforme a localização da doença e foram coletadas informações sobre o tipo de tratamento e a sobrevida dessas pacientes. A casuística foi caracterizada por meio da estatística descritiva e as análises de associação foram realizadas pelo teste exato de Fisher. RESULTADOS: Dentre 469 prontuários selecionados foram identificados 50 casos de recidiva, sendo 31 sintomáticos no momento do diagnóstico da recorrência (62%) e 19 assintomáticos (38%). Dentre as mulheres com sintomas, oito solicitaram antecipação da consulta previamente agendada por apresentarem queixas clínicas. Pacientes com sintomas no momento do diagnóstico da recorrência apresentaram tendência a menores taxas de sobrevida global em dois anos em relação às pacientes assintomáticas (39,4 versus 67,6%) (p=0,081). Nenhuma portadora de recorrência a distância recebeu tratamento com intensão curativa, mas recebeu tratamento cirúrgico ou radioterápico visando remissão completa da doença. As mulheres que solicitaram antecipação da consulta por apresentarem sintomas tiveram significativa redução na taxa de sobrevida global em dois anos após a recorrência (0 versus 60,4%; p<0,001) em relação àquelas que compareceram à consulta na data agendada e nenhuma paciente desse grupo foi submetida a tratamento com intuito curativo. Conforme esperado, as pacientes que foram submetidas ao tratamento com intenção paliativa, ou seja, cujo principal objetivo seria o incremento da qualidade de vida e o aumento da sobrevida, porém sem perspectiva de cura, tiveram significativa redução da taxa de sobrevida global comparadas àquelas submetidas ao tratamento com intuito curativo (76,7 versus 35,4%; p<0,001). CONCLUSÃO: O benefício da detecção assintomática da recidiva do câncer do colo do útero tem potencial de melhorar o prognóstico das pacientes com recidiva local e regional mas é necessário uma casuística maior para confirmação dessa possibilidade. PURPOSE: The aim of this study was to evaluate the clinical features and prognostic implications of patients with recurrent cervical cancer. METHODS: By reviewing the medical records we evaluated all patients with cervical cancer at stages IA to IVA who started treatment at a specialized hospital in the Southeast region of Brazil from 2007 to 2009. Recurrence episodes were categorized according to location of disease and information was collected regarding the type of treatment and survival of these patients. The sample was characterized by descriptive statistics and association analyses were performed using Fisher's exact test. RESULTS: Fifty cases of recurrence were identified among 469 selected records, with 31 patients being symptomatic at diagnosis of recurrence (62%); and 19 being asymptomatic (38%). Among women with symptoms, eight requested anticipation of the previously scheduled appointment because of the presence of clinical complaints. Patients with symptoms at the diagnosis of recurrence had lower rates of overall two-year survival (39.4 versus 67.6%) (p=0.081). None of the patients with recurrence at distance received curative intent treatment, but all received surgical treatment or radiotherapy aiming at full remission of the disease. Women who requested anticipation of the appointment because of the presence of symptoms had a significant reduction of overall two-year survival after recurrence (0 versus 60.4%; p<0.001) compared to those who attended the consultation on the scheduled date, and none of them received curative intent treatment. As expected, the patients who underwent palliative treatment with the main objective of improving quality of life and increasing survival but with no perspective of cure had a significant reduction in overall survival compared to those who were treated with curative intent (76.7 versus 35.4%; p<0.001). CONCLUSION: The benefit of detecting asymptomatic recurrence of cervical cancer has the potential to improve the prognosis of patients with local and regional recurrence, but studies on larger series are necessary to confirm this possibility.

ASSUNTO(S)

health sciences

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