Fatores associados à necessidade de exodontia de incisivos centrais superiores decíduos traumatizados / Associated factors with extraction of traumatized deciduous upper central incisor

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

08/03/2012

RESUMO

O objetivo deste estudo longitudinal foi avaliar os fatores associados à necessidade de exodontia de incisivos centrais superiores decíduos traumatizados. Os dados foram coletados por um único examinador por meio de exame de fotografias, radiografias e informações presentes nos prontuários de 1734 pacientes atendidos na clínica do Centro de Pesquisa e Atendimento de Traumatismo em Dentes Decíduos da Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, entre os anos de 1998 e 2009. O critério utilizado para a inclusão do prontuário no estudo foi a presença de fotografias e/ou radiografias que comprovassem a presença de incisivos centrais superiores permanentes erupcionados ou em processo de erupção, onde os incisivos centrais decíduos não estivessem mais presentes na cavidade oral. Foram avaliados 521 prontuários de pacientes e 988 incisivos centrais superiores decíduos traumatizados. A unidade experimental para o estudo foi o dente. Três desfechos foram analisados: exodontia devido ao traumatismo dental em si, exodontia por sinais de infecção e exodontia por retenção prolongada. Todos os desfechos foram comparados aos incisivos centrais superiores decíduos que apresentaram exfoliação fisiológica. As variáveis independentes foram divididas em grupos: relacionadas à criança, ao traumatismo e ao dente. Os dados foram tabulados e a análise de Regressão de Poisson foi realizada para avaliar a associação entre as variáveis. O dente apresentar luxação lateral (RR=4,73; 2,06 10,98), intrusiva (RR=4,18; 1,74 10,07) ou extrusiva (RR=9,57; 4,22 21,67), trauma com envolvimento pulpar (RR=17,89; 8,02 39,88) ou fratura radicular (RR=2,74; 1,06 7,07), além de trauma com envolvimento de mais de 2 dentes (RR=1,33; 1,12 1,57) foram positivamente associadas à necessidade do dente traumatizado ter exodontia em decorrência do traumatismo dental. O dente com trauma de alta severidade (RR= 1,75; 1,05 2,93) e apresentar sinais de necrose pulpar (RR=25,86; 13,4 49,6) foram fatores positivamente associados à necessidade de exodontia por sinais de infecção. Por outro lado, a presença de tratamento endodôntico (RR=0,50; 0,34 0,74) e de restauração (RR=0,33; 0,11 0,99) foram fatores negativamente associados ao mesmo desfecho. O dente ter recebido tratamento endodôntico (RR=3,04; 1,97 4,69) foi positivamente associado a necessidade de exodontia por retenção prolongada, enquanto ter apresentado uma luxação lateral ou extrusiva (RR=0,27; 0,74 0,96) e apresentar espaço pericementário aumentado (RR=0,45; 0,21 0,95) foi negativamente associado. Conclui-se que a luxação lateral, intrusiva e extrusiva, fraturas com exposição pulpar, fratura radicular e o envolvimento de mais de 2 dentes aumentam a probabilidade de exodontia devido ao traumatismo dental em si. A exodontia por sinais de infecção está associada a traumas severos e o desenvolvimento de sinais de necrose pulpar. No entanto, a realização de tratamentos conservadores como endodontia e restauração podem evitar a exodontia precoce do dente decíduo. O tratamento endodôntico aumenta a possibilidade do dente necessitar de exodontia por retenção prolongada.

ASSUNTO(S)

dente decíduo exodontia extraction primary teeth traumatic dental injuries traumatismo dental

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