"Eu desisto?" Paredes vivas na cidade: conflitos sociais em cartazes produzidos ao longo da década de 1980, no Brasil

AUTOR(ES)
FONTE

Educ. rev.

DATA DE PUBLICAÇÃO

28/02/2014

RESUMO

O trabalho foca um conjunto de cartazes produzido com o fito de mobilizar a sociedade brasileira em prol de demandas sufocadas durante o período ditatorial, que não foi um epifenômeno de uma tradição de recorrente violência. Com a reorganização da sociedade civil ao longo da década de 1980, a chamada década perdida, diferentes agentes coletivos se mobilizaram para dar visibilidade aos seus anseios. Privilegiando a imagem expressa em cartazes, a propaganda destes grupos e, em alguns casos, mesmo do Estado, buscava destacar o advento de um novo tempo, no qual antigas e novas reivindicações poderiam ser finalmente contempladas, desde que a população se organizasse para tal fim. Para além do panfleto político escrito e direto, os cartazes representaram na história uma possibilidade de captar o observador pela imagem, pela cor, pelo traço que, às vezes combinados com o texto, desenvolveriam sua sensibilidade para uma problemática específica. Muitas daquelas reivindicações que compuseram a agenda política do fim da ditadura e dos primeiros anos da volta à democracia, ainda hoje, quase 40 anos depois, continuam a ser objeto da mobilização popular. Isso atesta o quanto, a despeito dos horrores promovidos pela ditadura civil-militar que pontificou neste país entre 1964 e 1985, elites, governos e parcelas da sociedade brasileira relutam em resolver questões tão prementes quanto básicas, tais como a reforma agrária, a violência contra as minorias, a perversa concentração de renda, o corporativismo, a corrupção entre tantas outras mazelas. Assim, procurando fazer dialogar texto e imagem, passado e presente, o trabalho recupera a pergunta feita pela Graúna, de Henfil: haveria alguma esperança?This article intends to analyze some posters produced which intended to mobilize Brazilian society in favour of repressed demands during the dictatorial period which was not a detail in the large tradition of violence. Since the reorganization of the civil society in the 80s, called the lost decade, different collective agents mobilized themselves to give visibility to their desires. Privileging the image in posters, the propaganda of these groups and, in some cases, even the State image, they tried to highlight the beginning of a new era, in which past and new claims could be finally contemplated, if people organized themselves for this end. Beyond a written and direct political pamphlet, the posters represented in History a possibility to catch the observer through an image, color, and the trace that, sometimes combined with the text, would develop one's sensibility for a specific problem. A lot of the demands that composed the political plans in the end of the Brazilian dictatorship, and in the first years of the re-democratization until today, almost 40 years later, they are still objects of popular mobilization. This fact attests how much, independently of the horror promoted by civil-military dictatorship in Brazil between 1964 and 1985, elites, government and parts of the Brazilian population are still reluctant to solve important and basic questions, such as the land reform, violence against minorities, the perverse income concentration, corporatism, corruption, among many others. So, through a dialogue between text and image, past and present, this work asks the Grauna`s question, by Henfil: should we have any hope?

ASSUNTO(S)

human sciences

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