Estudo comparativo da qualidade parasitológica e toxicológica entre hortaliças cultivadas com água de reuso e hortaliças comercializadas em Ribeirão Preto - SP / Comparative study of the toxicological and parasitological quality of vegetables grown with wastewater and vegetables sold in Ribeirão Preto - SP

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AUTOR(ES)

Mariana Frari Ragazzi

FONTE

IBICT

RESUMO

Várias regiões do planeta sofrem com escassez natural de água potável, o aumento da população e a contaminação ambiental desse recurso têm agravado esse quadro. Nesse contexto, práticas de reuso de água na agricultura vêm sendo difundidas em diversos países. O objetivo deste trabalho foi comparar a qualidade parasitológica e toxicológica entre hortaliças cultivadas com água de reuso e hortaliças comercializadas em feiras livres do município de Ribeirão Preto - SP. Para tanto, foram coletadas 20 amostras de alface (Lactuca sativa) e 20 de rúcula (Eruca sativa) nas feiras livres do município e na horta experimental construída na Estação de Tratamento de Esgotos de Ribeirão Preto, onde as hortaliças foram irrigadas com efluente tratado e clorado a 0,1 mgL-1. No total foram coletadas 80 amostras. Para análise parasitológica foram utilizadas a Técnica de Sedimentação Espontânea e a Técnica de Separação Imunomagnética com utilização de Microscopia de Imunofluorescência e Contraste de Fase (método 1623 USEPA), para análise de Cryptosporidium spp. e Giardia spp. A leitura das concentrações de metais foi realizada por Espectrometria de Massa com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-MS). Os resultados obtidos evidenciaram que tanto as verduras coletadas nas feiras livres quanto as produzidas na horta experimental apresentaram positividade para contaminação parasitológica, especialmente helmintos. Especificamente para Cryptosporidium spp. e Giardia spp., o método 1623 mostrou que houve contaminação por Giardia spp. apenas nas hortaliças procedentes da horta experimental, com densidades que variaram de 6 a 15 cistos/50g. e por Cryptosporidium spp., com densidade de 3 oocistos/50g. As análises de metais mostraram que houve diferença significante dos metais Cd, Pb, Mn e Fe, em alface e rúcula, sendo as concentrações maiores nas amostras procedentes da horta experimental. O Pb apresentou concentrações máximas próximas ou superiores ao Limite Máximo de Tolerância, segundo o Decreto 55871/1965, nos dois grupos de hortaliças analisados. Concluiu-se que a cloração do efluente tratado a uma concentração de 0,1 mgL-1 não elimina os agentes patogênicos persistentes ao tratamento convencional. Para viabilizar a utilização de águas residuárias tratadas na cultura de hortaliças é necessário buscar uma forma de tratamento complementar que elimine microrganismos patogênicos presentes no efluente. Evidenciou-se também, a necessidade de monitoramento constante das concentrações de metais no efluente e na hortaliça produzida considerando as variações temporais que caracterizam o esgoto urbano, pois esses elementos podem ser transferidos para a cadeia alimentar. Torna-se evidente a necessidade de continuar buscando usos alternativos ao reuso da água, visando contornar os problemas já existentes de escassez de água garantindo a preservação de fontes de água no futuro.

ASSUNTO(S)

Este documento pertence ao repositório digital da biblioteca Universidade de São Paulo. Todos os diretos do trabalho são reservados aos seus autores. Informar irregularidade.

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