Estrutura e personalidade na neurose: da metapsicologia do sintoma à narrativa do sofrimento

AUTOR(ES)
FONTE

Psicol. USP

DATA DE PUBLICAÇÃO

31/03/2014

RESUMO

Neste artigo, originalmente uma aula para concurso de professor titular junto ao Instituto de Psicologia da USP, são examinadas as noções de personalidade e de estrutura em sua aplicação ao diagnóstico de neurose, em psicopatologia de extração psicanalítica. Examina-se a consistência das relações de ordem, classe e gênero, que, por hipótese, ao lado da concepção de causalidade, subsidiam a força e pertinência de uma categoria diagnóstica. Discute-se o valor da exceção e a potência normativa de conformação da experiência clínica à racionalidade diagnóstica. Os resultados deste exame epistemológico preliminar nos levam a propor a tese crítica de que há menos homogeneidade no emprego da noção freudiana de neurose do que a recepção corrente vem admitindo. Argumenta-se que cada modelo metapsicológico, no qual emergem redefinições de neurose, corresponde a uma valência narrativa e uma forma de sofrimento distinto, sendo a exclusão da narrativa de sofrimento uma dimensão relevante para reconsiderar a noção de personalidade e de estrutura na diagnóstica psicanalítica.This article is a modificated version of the given class from the author in the concourse to Full Professor at Psychology Institute in University of São Paulo. The notions of personality and structure are examined in relation to the diagnosis of neurosis, considering psychoanalytical psychopathology. The categories of order, class and genre, as taken hypothetically, along with the notion of causality, as the subsidize force to evaluate the consistence of a diagnostic category. The article discusses the value of exceptions and the constrain of normativity in order to conform clinical experience into a given diagnostic rationality. The preliminary results of this epistemological evaluation leads us to propose the thesis that we have much less consistency in the Freudian category of neurosis then the historically reception could admit. We propose the idea that each methapsychological model, within emerged neurosis definition, is embedded in specific narratives of suffering. This is an important dimension to be taken in order to reconsider the clinical use of structure and personality in psychoanalytical diagnostic.

ASSUNTO(S)

human sciences

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