Efeitos do corte seletivo com impacto reduzido na assembléia de borboletas frugívoras da planície amazônica / The effects of reduce-impact logging on fruit-feeding butterflies in Central Amazon, Brazil

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

08/07/2011

RESUMO

A Amazônia representa mais da metade da área de todas as florestas tropicais do mundo, e vem sendo ameaçada por diversas atividades antrópicas, incluindo vários tipos de extração de madeira. O corte seletivo de impacto reduzido (em inglês "Reduced Impact Logging - RIL") é considerado um método menos destrutivo de exploração madeireira que promove uma menor alteração na estrutura da floresta comparado com métodos convencionais. No entanto, existem poucas informações sobre os efeitos do RIL em invertebrados, incluindo borboletas. Desta forma, investigamos o efeito do RIL na estrutura da vegetação florestal e sobre as borboletas frugívoras, comparando a fauna do dossel e do sub-bosque entre uma área explorada (RIL) e uma área não explorada (controle). Devido à pouca informação disponível sobre protocolos de amostragem para as borboletas tropicais, alguns aspectos metodológicos relativos à amostragem dos ninfalídeos frugívoros foram investigados. Analisamos como a detectabilidade varia entre diferentes espécies, habitats (Amazônia x Mata Atlântica), estratos da floresta e também qual o esforço adequado de amostragem para detectar uma certa quantidade espécies em uma determinada área, no prente estudo esta quantidade foi estabelecida como 25% do total de espécies estimado no local. Implicações biológicas Uma floresta não explorada apresenta árvores adultas e juvenis maiores do que as de uma floresta explorada (RIL). O número de plântulas e mudas é maior na floresta explorada (RIL) e a distribuição de freqüências de tamanhos (SDFslope) não foi diferente entre as áreas de RIL (-2,61) e não explorada (-2,31). A abertura do dossel foi maior na floresta não explorada, provavelmente devido a um aumento das plantas do sub-bosque na floresta RIL. A área basal e altura das árvores foram maiores na floresta não explorada. Em relação às borboletas frugívoras, a fauna do dossel é diferente e significativamente mais rica do que a fauna do sub-bosque, mostrando que amostrar apenas o estrato mais baixo pode subestimar a diversidade de borboletas. Os efeitos do RIL foram detectados principalmente na assembleia de borboletas do sub-bosque, onde foram observadas diferenças significativas na composição de espécies entre as áreas. Os impactos do RIL, que incluem o corte de árvores, a abertura de trilhas de arraste e de estradas, são mais intensos no sub-bosque do que no dossel. Estas diferentes intensidades de impacto no dossel e no sub-bosque podem explicar os diferentes efeitos do RIL nas borboletas presente nesses estratos. Considerando o grande potencial das borboletas frugívoras para prever as respostas de vários outros grupos taxonômicos à perturbação da floresta na Amazônia, esperamos que padrões semelhantes sejam encontrados em outros táxons. No entanto, apesar dos efeitos detectáveis do RIL em borboletas frugívoras, não pudemos perceber espécies que foram excluídas ou que invadiram a área de RIL, os nossos resultados mostram principalmente diferenças nas abundâncias das espécies entre as áreas. Este resultado é similar ao encontrado em estudos feitos com outros taxa mostra que o RIL em geral não altera a diversidade de espécies podendo ser uma alternativa para preservar uma parcela significativa da fauna em áreas com este tipo de exploração. A criação de áreas protegidas na Amazônia apesar de desejável é bastante complicada e nem sempre é efetiva na preservação da cobertura vegetal, assim sendo o corte seletivo de impacto reduzido pode ser considerado uma boa alternativa para preservar borboletas frugívoras na floresta amazônica e, certamente, muitos outros táxons. Além disso, devido ao alto valor da madeira produzida neste sistema, esta poderia ser uma alternativa econômica desejável para a região. Implicações metodológicas Quase todas as borboletas e mariposas amostrados no presente estudo foram mais facilmente amostradas em um estrato específico (dossel ou sub-bosque). No presente estudo, mesmo as espécies mais comuns do dossel raramente foram amostradas no subbosque. Assim, fazer uso de um protocolo de amostragem que não utiliza armadilhas em ambos os estratos irá aumentar os erros de detecção de muitas borboletas e pode conduzir a inferências incorretas sobre a riqueza e diversidade em uma determinada área. As diferenças na detectabilidade entre os meses no conjunto de dados da Amazônia mostraram que mesmo quando as borboletas são amostradas durante o período do ano com maior probabilidade de captura, existem diferenças importantes na detectabilidade entre os meses. A baixa detectabilidade e a grande variação entre os estratos e meses nos levam a propor que, para borboletas frugívoras, a amostragem deve ser feita na época correta e em florestas altas os diferentes estratos devem ser considerados de modo a reduzir os erros de detecção e possíveis vieses nos resultados. O esforço amostral mínimo para a detecção de 25% das espécies presentes nas florestas tropicais é de 130 armadilhas / dia para a Mata Atlântica e 510 dias para Amazônia Central. Além disso, a amostragem deve ser feita com réplicas temporais em um curto espaço de tempo para aumentar o poder de interpretação dos dados coletados

ASSUNTO(S)

mariposa estrutura da vegetação teoria de escalonamento metabólico detectabilidade estratificação vertical moths vegetation structure metabolic scaling theory (mst) detectability vertical stratification

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