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Economia de comunhão : representações sociais e ideologia de uma nova proposta de responsabilidade social

AUTOR(ES)
DATA DE PUBLICAÇÃO

2007

RESUMO

A tese consiste em um estudo de caso de uma proposta particular de Responsabilidade Social: a Economia de Comunhão (EdC). Anunciada no Brasil, em 1991, a EdC é apresentada como um novo agir econômico que buscaria solucionar o problema da pobreza através de doações de parte dos lucros aos pobres, bem como do resgate da ética nas organizações. A análise da Economia de Comunhão apresentada nessa tese foi realizada a partir da teoria das Representações Sociais (MOSCOVICI, 2003) e da Ideologia (THOMPSON, 1995), buscando compreender as representações sociais que configuram a proposta da EdC, suas repercussões sobre as relações de trabalho, sobre a subjetividade e perspectiva de mudança social, e se as mesmas são empregadas para estabelecer e manter relações de dominação. O corpus da pesquisa foi construído a partir da visita a três empresas de EdC, entrevistas semi-dirigidas com empresários e trabalhadores das mesmas, participações nos Congressos Nacionais de Economia de Comunhão dos anos de 2004 e 2005, pesquisa bibliográfica de obras referentes à Economia de Comunhão (livros, periódicos), consulta a websites (www.focolare.org; www.edc-online.org) e discussões através de um grupo virtual sobre EdC. A análise dos dados foi realizada a partir da metodologia da Hermenêutica da Profundidade proposta por Thompson (1995) devido à mesma incluir várias fases de investigação e ser útil à análise ideológica. Os resultados identificaram que, além das representações de origem religiosa (Providência Divina), somam-se à EdC outras já sedimentadas no discurso capitalista (meritocracia, lucro como direito legítimo do capitalista, sociedade como soma dos indivíduos), bem como identificou-se a emergência de novas representações através das quais o empresário deixa de ser apontado como o vilão social e ganha ares de herói, enquanto que as empresas são apresentadas como comunidades. A EdC reúne em si, além da questão da nova filantropia empresarial, outros fenômenos contemporâneos correlacionados - a Espiritualidade nas Organizações e o Comunitarismo - à medida que insere práticas religiosas no interior das empresas, bem como propõe que as mesmas se tornem uma comunidade para seus membros. Os resultados apontam ainda que a EdC, embora sob novas roupagens, atende às exigências neoliberais, reforçando o imaginário de servo-escravo, de dependência e submissão, que se traduz na busca da segurança e proteção oferecidos pela empresa-mãe. A questão da gratuidade, que poderia indicar um rompimento da EdC com a lógica capitalista, não se concretiza plenamente, uma vez que se considera como dádiva o que é direito, permanecendo relações as relações assimétricas e de dominação

ASSUNTO(S)

responsabilidade social representaÇÃo social ideologias psicologia social economia - aspectos sociais psicologia




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