Detecção da mutação T1799A do gene BRAF em células de carcinoma papilífero obtidas por punção aspirativa com agulha fina / Detection of BRAF gene mutation T1799A in papillary carcinoma cells obtained by fine needle aspiration

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

17/08/2012

RESUMO

O câncer da tireoide é a neoplasia endócrina mais comum, sendo responsável por cerca de 1 a 2% das neoplasias malignas da tireoide. Atualmente, a patogênese molecular do carcinoma papilífero da tireoide (CPT) tem sido relacionada à ativação aberrante da via de sinalização MAPK, desencadeada por mutações em diversos oncogenes. Destas, a mutação p.V600E do gene BRAF é a mais freqüente, sendo observada em 30%-80% dos casos. Numerosos estudos têm demonstrado que a presença dessa mutação está relacionada a uma maior agressividade do tumor e, conseqüentemente, a um prognóstico menos favorável, tornando-a um marcado importante no CPT. Contudo, poucos métodos utilizados na análise do gene BRAF em amostras de punção de nódulos tireoidianos foram satisfatórios em relação ao custo-tempo e sensibilidade do teste. Os objetivos deste estudo foram padronizar a extração de DNA a partir de amostras obtidas de PAAF guiada por ultrassom de nódulos tireoidianos; validar e determinar a eficiência e a relação custo-tempo da técnica de genotipagem por PCR em tempo real na detecção da mutação p.V600E do gene BRAF em amostras de PAAF de nódulos tireoidianos; analisar a prevalência da mutação p.V600E em pacientes com CPT; correlacionar à presença da mutação p.V600E com características clínicas e histopatológicas de maior agressividade e por fim analisar a sensibilidade, especificidade e acurácia do diagnóstico citológico em conjunto com a análise molecular da mutação p.V600E em material de PAAF. Nossa casuística foi composta por 224 pacientes, todos submetidos à tireoidectomia, cuja citologia pré-operatória foi indeterminada (Bethesda classes III a V) ou Bethesda VI (carcinoma papilífero). Foram avaliados dados clínicos e hormonais (TSH) e autoimunidade (anti-TPO e anti-TG), além das características ultrassonográficas (tamanho, estrutura, ecogenicidade, presença de microcalcificação e halo e vascularização). Os dados histológicos avaliados foram tamanho do tumor, variante histológica, invasão de cápsula, invasão vascular e linfática, extensão extratireoidiana, multicentricidade e presença de acometimento ganglionar à cirurgia. Os pacientes foram divididos em grupo benigno (n:122) e maligno (n:102), de acordo com o diagnóstico histológico final. O grupo maligno apresentou uma média de idade menor que o grupo benigno (48,9 vs 54,2 anos; p=0,008). Não observamos diferença entre os grupos com relação à dosagem sérica de TSH (p=0,467), anti-TPO (p=0,535) e anti-TG (p=0,730). Analisando as características ultrassonográficas, o tamanho e o volume dos nódulos foram maiores no grupo benigno (3,0 vs 2,6 cm e 12,38 vs 14,5 cm3; p=0,008 e p<0,001, respectivamente). Os nódulos que apresentaram hipoecogenicidade, assim como os nódulos de composição sólida, a presença de microcalcificações, ausência de halo hipoecogênico e presença de vascularização central apresentaram estatisticamente maior freqüência de malignidade. Em modelo de regressão logística, maior idade, nódulo sólido, sem halo hipoecogênico e com microcalcificações foram variáveis que influenciaram conjuntamente na presença de malignidade. No diagnóstico citológico 78,6% (176/224) dos nódulos avaliados foram classe III, IV e V, sendo que destes 35,8% (63/176) apresentaram diagnóstico histológico final maligno. Identificamos a mutação p.V600E no material de PAAF em 67,7% (69/102) dos pacientes do grupo maligno, estando presente em 70,3% (45/64) dos carcinomas papiliferos variante clássica e em 69,7% (23/33) dos carcinomas papilíferos variante folicular, sendo todos os achados confirmados em 100% das amostras através seqüenciamento automático do material obtido do tecido nodular a fresco ou parafinado dos pacientes. Nos pacientes com diagnóstico histológico de CPT (n:98), comparamos os pacientes com e sem a mutação p.V600E com relação aos dados clínicos, histológicos de pior prognóstico, presença de metástase linfonodal, classificação TNM e estádio de acordo com AJCC. Apenas a presença de idade mais avançada apresentou associação estatisticamente significativa com a presença da mutação p.V600E (p=0,041). Comparamos o diagnóstico citológico baseado na classificação de Bethesda e a análise da mutação p.V600E com o diagnóstico histológico considerado o padrão ouro para o diagnóstico de CPT. A sensibilidade, especificidade, acurácia, valor preditivo positivo e negativo do diagnóstico citológico foi de 67,4%, 94,4%, 79,8%, 93,3% e 71,2% respectivamente. Análise da mutação p.V600E isoladamente apresentou resultados similares ao do diagnóstico citológico, porém observamos que a combinação do diagnóstico citológico com análise da mutação melhorou significativamente todos os parâmetros analisados. A presença da mutação p.V600E em nossa casuística, não mostrou ser um fator isolado associado à pior prognóstico de CPT. Um maior número de pacientes e acompanhamento a longo prazo, somando-se cuidadosa avaliação clínica-morfológica com a detecção de mutação p.V600E e utilizando análises multivariadas, são necessários para esclarecer o significado prognóstico independente desta mutação. Estudos semelhantes também são necessários para encontrar uma maneira de combinar as características clínicas e ultrassonográficas, com a detecção da mutação p.V600E no material da PAAF para decidir a melhor abordagem cirúrgica

ASSUNTO(S)

biopsy needle mutação mutation neoplasias da glândula tireoide ultrasonography ultrassonografia biópsia por agulha thyroid neoplasms

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