Curadoria autoral: o papel dos arranjos expositivos na comunicação do trabalho de arte

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

22/06/2012

RESUMO

À luz do desenvolvimento dos meios de comunicação de massa e das tecnologias telemáticas, essa tese tem o objetivo de propor uma perspectiva relacional que nos permita avaliar a autonomia criativa das práticas curatoriais em outras palavras, a capacidade do curador de intervir no valor e sentido do trabalho do artista, e mesmo de ser ele próprio apto a criar valor e sentido com a sua atuação. Partido de teorias de Cecília Salles e Bruno Latour, estabelecemos que a obra de arte, mais do que um gesto autônomo ou artefato singular, é uma manifestação de disputadas redes de processos intersubjetivos. Buscamos ressaltar a preponderância da atividade do curador nessas redes ao acompanhar a história das exposições de arte desde meados do século XIX até os dias de hoje, período em que a profissão como a conhecemos atualmente tomou forma. Esse estudo tem por base levantamentos críticos como os de Karsten Schubert, Nicholas Serota, Brian ODoherty e Mary Anne Staniszewski. Simultaneamente, analisamos como as práticas curatoriais se transformaram em relação ao fazer artístico, alterando seu escopo na medida em que os processos de criação se deixaram contaminar por sistemas midiáticos. Nesse sentido, concluímos que tais práticas atuem não apenas na conservação e divulgação das obras, mas participem ativamente das dinâmicas de produção e consumo do trabalho de arte. Por fim, sugerimos outra forma de entender a obra em exposição com base no conceito de arranjo expositivo, que possibilita uma intersecção entre a comunicação, as artes e o design, nos permitindo apreender de maneira mais detalhada o modo como esses campos interagem e se influenciam historicamente, especialmente no que se refere à negociação dos limites de atuação criativa em cada um deles. Exercitamos essa abordagem na realização da mostra Distâncias Negadas, utilizando a própria prática curatorial como uma oportunidade autorreflexiva, de maneira a compreender o seu desempenho nas redes de criação. Além de chamar atenção para o grau de influência do curador na comunicação do fazer artístico, tal metodologia salientou o papel das contingências e realidades institucionais na atuação do curador independente

ASSUNTO(S)

comunicacao curadoria artes redes tecnologias de comunicação audiovisual cinema curating arts networks media technologies audiovisual cinema

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