Caracterização do internalizador de peptídeos Opp em Corynebacterium pseudotuberculosis e o estudo do seu papel na virulência e patogenicidade dessa bactéria

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia

DATA DE PUBLICAÇÃO

16/03/2012

RESUMO

Corynebacterium pseudotuberculosis é uma bactéria Gram-positiva, parasita intracelular facultativa, causadora da linfadenite caseosa (LC), uma doença infecto-contagiosa crônica que acomete pequenos ruminantes e acarreta sérias perdas econômicas para as atividades de ovinocaprinocultura. A ampla ocorrência e importância econômica da enfermidade estimulam estudos sobre as bases moleculares da virulência deste patógeno, cujas informações ainda são escassas. Dentre os fatores moleculares associados à virulência de bactérias patogênicas, têm-se destacado os internalizadores de peptídos (Opp), que são complexos protéicos multi-subunitários, pertencentes à família dos ABC transportadores. Esses internalizadores ficam localizados na membrana plasmática e tem como principal função a captação de peptídeos do meio extracelular para que sirvam como fonte de carbono e nitrogênio. Além do papel nutricional os peptídeos podem ser utilizados, por bactérias Gram-positivas, como moléculas sinalizadoras em um processo de comunicação intercelular, o qual permite às bactérias coordenarem a expressão de determinados genes em uma escala populacional. O controle de diversos processos celulares já foi relacionado ao mecanismo de comunicação via peptídeos sinalizadores dentre os quais incluem: esporulação, conjugação e virulência. Com o objetivo de se estudar o papel do transportador de peptídeos (Opp) na bactéria C. pseudotuberculosis foi construída uma linhagem mutante para o transportador Opp utilizando um plasmídeo suicida. Essa linhagem foi crescida na presença do peptídeo tóxico glutationa (GSH) nas concentrações de 5mM e 10 mM, como forma de se obter uma confirmação fenotípica da perda da capacidade da linhagem mutante em internalizar peptídeos. Porém, a linhagem mutante se mostrou sensível aos efeitos tóxicos do GSH, demonstrando que esse peptídeo pode estar sendo internalizado pela bactéria por uma via diferente do Opp ou que não exista a necessidade dele ser internalizado para ser tóxico à bactéria. Posteriormente, através de uma análise proteômica comparativa entre as proteínas extracelulares das linhagens selvagem e oppD mutante, utilizando 2-DE, foi gerado mapas protéicos que demonstraram a presença de 11 spots exclusivos na linhagem selvagem e 17 spots exclusivos na linhagem mutante. Esse resultado indica que o transportador Opp pode estar relacionado a algum processo de controle da expressão gênica em C. pseudotuberculosis. Por fim, para verificar se o transportador de peptídeos de C. pseudotuberculosis possui alguma relação com a virulência e patogenicidade dessa bactéria foram realizados ensaios in-vitro, de adesão e colonização de macrófagos, e in vivo, de infecção de camundongos BALB/c. Os resultados desses ensaios demonstraram que apesar da linhagem mutante possuir uma capacidade reduzida de aderir e infectar macrófagos em cultura durante a primeira hora de experimentação, ambas as linhagens apresentaram o mesmo potencial de causar morte, lesão, e de colonizar o baço de camundongos infectados. Através desse estudo podemos concluir que provavelmente a mutação do gene oppD não afetou a virulência da linhagem mutante. E que será necessário realizar o sequenciamento dos spots protéicos exclusivos de cada linhagem para que possamos inferir em quais processos celulares essas proteínas estão relacionadas

ASSUNTO(S)

genética teses. virulência (microbiologia) teses. corynebacterium pseudotuberculosis teses. genetica molecular teses genética bacteriana teses.

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