Avaliação das complicações da esofagectomia de resgate na terapêutica cirúrgica do câncer de esôfago avançado

AUTOR(ES)
FONTE

ABCD, arq. bras. cir. dig.

DATA DE PUBLICAÇÃO

31/08/2013

RESUMO

RACIONAL: Apesar das inúmeras opções terapêuticas, o prognóstico da neoplasia maligna de esôfago continua sombrio. Devido à baixa taxa de cura da esofagectomia, foram desenvolvidas novas propostas de tratamento como a quimioterapia e radioterapia isoladas ou associadas, concomitante ou não à cirurgia, além da quimiorradiação exclusiva. A esofagectomia de regaste surge como opção terapêutica para aqueles pacientes com recorrência ou persistência da doença após tratamento clínico. OBJETIVO: Avaliar os resultados da esofagectomia de resgate em pacientes com câncer de esôfago submetidos previamente à quimiorradiação exclusiva, assim como descrever as complicações locais e sistêmicas. MÉTODO: Foram analisados retrospectivamente 18 pacientes com diagnóstico inicial de carcinoma epidermóide de esôfago irressecável, submetidos previamente à quimiorradioterapia. Após o tratamento oncológico eles foram examinados quanto às suas condições clínicas pré-operatórias. Foi realizada a esofagectomia por toracotomia direita e reconstrução do trânsito digestivo por cervicolaparotomia. Os mesmos foram avaliados no período pós-operatório tanto em relação às complicações locais e sistêmicas como em relação à qualidade de vida. RESULTADOS: As complicações foram frequentes, sendo que cinco pacientes desenvolveram fístula por deiscência da anastomose. Quatro desses evoluíram de maneira satisfatória. Cinco também apresentaram estenose esofagogástrica cervical, mas responderam bem à dilatação endoscópica. Infecção pulmonar foi outra complicação observada e presente em sete pacientes, sendo inclusive causa de óbito em dois deles. Dentre os em que se conseguiu realizar seguimento com tempo médio de 5,6 anos, 53,8% estão vivos sem doença. CONCLUSÕES: Existe elevada morbidade da esofagectomia de regaste principalmente após longo espaço de tempo entre quimiorradiação e a cirurgia, propiciando maior dano tecidual e predisposição à formação de fistulas anastomóticas. No entanto, os resultados se mostram favoráveis àqueles que não possuem mais opções terapêuticas.BACKGROUND: Even though the esophageal cancer has innumerous treatment options its prognosis is still unsettled. Because esophagectomy is rarely curative, new and emerging therapies come to light such as isolated chemotherapy and radiotherapy or combined chemoradiation, followed or not by surgery. The rescue esophagectomy is an alternative for those patients with recurrent or advanced disease. AIM: To evaluate the results of the rescue esophagectomy in patients with esophageal cancer who had previously undergone chemoradiation and describe local and systemic complications of the procedure. METHODS: Eighteen patients with unresectable esophageal squamous cell carcinoma were treated with chemoradiation followed by rescue esophagectomy. All of them presented the preoperative clinical conditions required to indicate the surgical procedure. Transthoracic esophagectomy with right side thoracotomy plus midline laparotomy was performed. Patients were evaluated with regard to any postoperative complications. RESULTS: There were five patients with evidence of fistula at the level of the anastomosis, and four of them progressed satisfactorily. Postoperative dilation was needed in five out of eighteen patients due to stenosis of the esophagogastric suture line. Seven patients did develop pulmonary infection with a fatal outcome for two of them. Among the patients who were available for a five-year follow-up, there was a rate of 53.8% of disease-free survival. CONCLUSIONS: These patients presented an elevated morbidity of the procedure related to many factors such as the long period between chemoradiation and surgery, which leads to tissue injury resulting in anastomotic fistulas. Nevertheless, esophagectomy seems to be valuable in cases without any other therapeutic option.

ASSUNTO(S)

health sciences

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