As representações sociais dos agentes de controle de zoonoses sobre a dengue em Uberlândia, MG / representations of agents of zoonosis control on dengue fever in Uberlândia, MG

AUTOR(ES)
FONTE

IBICT

DATA DE PUBLICAÇÃO

01/03/2012

RESUMO

A dengue é uma doença infecciosa viral cujo principal vetor é o Aedes aegypti. Um ambiente favorável ao vetor, junto a estratégias ineficientes para reduzir a sua proliferação, permitiram ao vírus da dengue o estabelecimento e expansão de sua circulação, aumentando os índices da doença principalmente nos centros urbanos. O objetivo da presente pesquisa foi identificar as Representações Sociais sobre a dengue dos Agentes de Controle de Zoonoses de Uberlândia MG. Esta pesquisa se inseriu em uma abordagem qualitativa dentro da modalidade das Representações Sociais. Essas são entendidas como teorias e modos de pensamento, sobre um dado fenômeno, que são estruturadas coletivamente, porém, partem de múltiplas interpretações a partir das individualidades dos sujeitos. Entre os dias 5 e 22 de outubro de 2010, foram feitas entrevistas semiestruturas com 20 agentes de zoonoses do Centro de Controle de Zoonoses de Uberlândia atuantes no controle da dengue. As entrevistas foram gravadas e, posteriormente, transcritas para análise. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi aplicado aos agentes antes da realização das entrevistas e a pesquisa foi submetida ao Comitê de ética em Pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia. Os agentes exibiram representações próximas aos conhecimentos científicos, como: é uma doença grave; é uma doença infecciosa; o vetor é a fêmea do mosquito; o mosquito da dengue tem corpo listrado; a oviposição ocorre na superfície dos recipientes; os focos de larvas podem ser encontrados em água suja; existem quatro tipos de vírus da dengue; o tratamento da doença é feito por hidratação; uma análise sorológica é necessária para constatar a doença; o mosquito da dengue tem hábitos diurnos; a fêmea do mosquito utiliza o sangue para a maturação dos ovos; a oviposição ocorre de forma repartida. Também foram encontradas RS diferentes das explicações científicas, como: a dengue é um vírus; o mosquito não é um animal. Nas entrevistas os agentes exteriorizaram suas representações relativas a outros aspectos, dentre as quais: a população não se compromete com a prevenção da dengue; a população não tem consciência da gravidade do problema; a mídia veicula informações ultrapassadas; o trabalho de agente ajuda à população na prevenção; o treinamento é positivo; a população não recebe bem o agente; o treinamento veicula conteúdos atualizados; a população não acredita na dengue; a população acha que dengue é coisa de Deus; a população trata mal o agente; a prevenção tem que somar ações individuais e do governo; deveria haver punições, como multa, para resolver o problema; falta a divulgação do agente na mídia; as campanhas deveriam ser mais apelativas; o trabalho de agente é agradável; o treinamento permite troca de experiências; o zoneamento ajuda o trabalho dos agentes. No confronto com a literatura médica, percebe-se que representações dos agentes são bem próximas dos conhecimentos científicos e provavelmente surtem efeitos positivos em suas práticas, que não se limitam a atos técnicos, mas incluem um trabalho de conscientização e veiculação de informações. Esses agentes poderiam ser aproveitados como educadores ambientais, o que seria favorecido pelo seu contato diário com a população.

ASSUNTO(S)

epidemiologia infestação dengue representações sociais agente de controle de zoonoses ecologia ecologia humana zoonoses agentes comunitários de saúde epidemiology infestation social representation agent control of zoonoses

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