A cultura de belezas americanas: gestão de pessoas, discurso e sujeito

AUTOR(ES)
FONTE

Cad. EBAPE.BR

DATA DE PUBLICAÇÃO

28/02/2014

RESUMO

O discurso organizacional parece incapaz de induzir comportamentos alinhados com as exigências e necessidades da empresa. A literatura sobre gestão de pessoas aponta essa dissociação entre discurso e prática como um paradoxo. Este artigo propõe ir além, ao considerar que ele é, na verdade, signo de uma contradição constitutiva do campo a partir da qual as ações gerenciais são produzidas. A não coincidência entre discurso e prática é a regra que propicia a regeneração e reiteração incessante do que é comunicado. Técnicas renovadas de treinamento mostram que a integração dos indivíduos é vista como um problema de aprendizagem, dependente do ensino de modos de sentir e perceber suas sensações e experiências, o que vai muito além da fronteira do discurso, apontando outros limites e antagonistas. Espera-se que os indivíduos sejam sujeitos de sua própria sujeição. Nessa perspectiva, a operação e o problema da gestão de pessoas residem na necessidade de produzir simultaneamente a completa sujeição e o sujeito pleno. Os referenciais teóricos do discurso organizacional e da teoria linguística fundamentam a crítica às práticas inovadoras de gestão de pessoas. Um dos personagens do filme Beleza americana ajuda a reordenar a reflexão anterior, propiciando a retomada do problema segundo a nova chave, com a passagem do discurso ao sujeito.Organizational discourse seems unable to incite behaviors in line with the company's requirements and needs. The literature on people management points out this dissociation between discourse and practice as a paradox. This article proposes to go further, by regarding it, actually, as the sign of a constitutive contradiction of the field in which managerial actions are produced. The mismatch between discourse and practice is the rule that enables the ceaseless renewal and reiteration of what is communicated. Renewed training techniques show that the integration of individuals is seen as a learning issue, which depends on teaching ways of feeling and noticing their sensations and experiences, something which goes far beyond the discourse boundary, pointing out other thresholds and antagonists. It is expected that the individuals are subjects of their own subjection. From this perspective, operation and the issue of people management lie on the need to simultaneously produce complete subjection and a full individual. The theoretical frameworks of organizational discourse and linguistic theory ground the criticism to innovative practices in people management. A character from the movie American Beauty helps rearranging the previous reflection, enabling us to resume the problem according to the new key, moving from the discourse to the subject.

ASSUNTO(S)

applied social sciences

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