Corpos em confecção: considerações sobre os dispositivos científico e midiático em revistas de beleza feminina

AUTOR(ES)
FONTE

Physis

DATA DE PUBLICAÇÃO

31/08/2013

RESUMO

Pretende-se problematizar os dispositivos científico e midiático na construção do ideal de corpo magro, mediante a análise de revistas de beleza voltadas ao público feminino. Para tanto, foram selecionadas seções específicas de duas revistas de grande circulação - Boa Forma e Corpo a Corpo -, com vistas a analisar os textos e imagens vinculados ao tema do consumo de alimentos, produtos e serviços, entre outras formas simbólicas que valorizam e garantem longevidade, acesso à boa forma, magreza e beleza, considerados atributos saudáveis. Os resultados evidenciam a profusão de fórmulas ou receitas associando magreza e felicidade, dentre outros ganhos a serem alcançados com disciplina, esforço e, sobretudo, lançando mão do consumo de bens e serviços voltados à estética. Há claro suporte discursivo amparado no saber médico estético especializado diluído na mídia impressa, e protagonizado por especialistas em diferentes domínios disciplinares e profissionais, emprestando legitimidade ou valor de verdade junto aos leitores, na ênfase dos cuidados com a "saúde". Constata-se, assim, uma cumplicidade entre os discursos midiático e biomédico, em um consórcio lucrativo mediante o qual a legitimidade alcançada pelo primeiro se desdobra em um lucrativo mercado para os agentes que detêm o saber (bio)médico-estético.This paper aims to confront scientific and media devices in the construction of the ideal thin body, through the analysis of womens's beauty magazines. We selected two specific sections of large circulation magazines - Boa Forma and Corpo a Corpo - with a view to analyzing texts and images related to the issue of food consumption, products and services, among other symbolic forms that ensure and value life expectancy, access to fitness, thinness and beauty, considered healthy attributes. The results show the profusion of formulas or recipes associating thinness and happiness, among other gains to be achieved with discipline, effort and, above all, making use of the consumption of goods and services for the aesthetics. There is clear discursive support based on medical-aesthetic specialized knowledge diluted in the print media, and played by specialists in different disciplines and professional fields, lending legitimacy or truth value to readers, emphasizing "health care". It seems that there is complicity between the media and biomedical discourses in a lucrative consortium whereby the legitimacy achieved by the former unfolds into a lucrative market for agents that hold (bio)medical-aesthetic knowledge.

ASSUNTO(S)

health sciences human sciences

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